Consultorias devem faturar mais na esteira do aumento do investimento estrangeiro, diz KPMG
Plantão | Publicada em 20/05/2008 às 13h41m
Valor OnlineSÃO PAULO - As empresas de consultoria que atuam no Brasil devem ser beneficiadas com mais horas de trabalho nas áreas de fusões e aquisições e de orientação sobre tributação, na medida em que aumenta o interesse de empresas estrangeiras por investimentos diretos no país. A análise foi feita por Robert Gutsche, membro do Comitê Executivo da KPMG e líder da área de Mercados da firma na Alemanha.
Nos primeiros três meses deste ano, o Investimento Estrangeiro Direito (IED) somou US$ 8,79 bilhões no Brasil, sendo a maior marca histórica para o período e apresentando alta de 34% sobre igual período de 2007.
Esse forte crescimento do interesse por investimento gera mais demanda por serviços de fusões e aquisições, de estruturação financeira, due dilligence e principalmente consultoria tributária, afirma Gutsche, que esteve no Brasil na semana passada e conversou com o Valor Online.
O sócio da KPMG veio ao país exatamente para fazer uma apresentação sobre o interesse dos investidores europeus em investir no Brasil. Segundo ele, existe uma ampla gama de setores que atraem a atenção, incluindo desde o agronegócio, até alta tecnologia, siderurgia, áreas ligadas ao consumo e setor financeiro, entre outros.
Sem revelar em quais negócios está trabalhando atualmente, Gutsche dá uma pista sobre os montantes envolvidos nos investimentos que o país pode receber. Estamos falando de bilhões de euros, números de 10 dígitos, diz.
De acordo com o sócio da KPMG, as empresas estrangeiras precisam de assessoria em diversas áreas para realizar todas as etapas de um investimento direto, mas admite que os temas tributários e regulatórios são os que mais atraem a atenção. A preocupação mais importante é em relação à questão tributária e a outras normas regulatórias de forma geral, afirma Gutsche, ressalvando que, apesar de este ser um fator crítico, ele não chega a ser impeditivo para a tomada de decisão da companhia. Não é a questão tributária que vai impedir o investimento. Vai dar mais trabalho, custar um pouco mais caro, mas ela não deixa de investir, diz, lembrando que o nível de complexidade do sistema tributário brasileiro acaba elevando a necessidade de a empresa investidora contratar consultorias especializadas na área.
Ao falar da elevação da nota da dívida brasileira para o grau de investimento pela Standard & Poor´s, o sócio da KPMG lembrou que as agências de classificação de risco estão sofrendo muita pressão por conta da crise do crédito subprime, mas reconheceu que se trata de uma importante conquista do país. Obviamente é um sinal de confiança, de transparência e de sustentabilidade, afirma.
Em escala global, ele ressalta que mais do que nunca o Brasil merece estar ao lado de Rússia, Índia de China no grupo que forma o Bric. No inicio da década alguns perguntavam se o Brasil deveria estar no Bric. Mas com o crescimento econômico recente, especialmente nos últimos dois anos, o cenário mudou, não há mais essa dúvida, diz.
Em comparação com os países do grupo, Gutsche lembra que, apesar de não ter a população tão grande quanto a da China e da Índia, do ponto de vista do investidor europeu o Brasil apresenta como vantagem a maior proximidade cultural, o que também facilita os negócios. É mais fácil de as pessoas se entenderem.
(Fernando Torres | Valor Online)
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